terça-feira, 15 de outubro de 2013

Clarisse

Vocês curtem Legião Urbana?

Eu amo, em especial o último CD com músicas inéditas que se chama "Uma Outra Estação"... Foi o álbum que ele (Renato Russo) escreveu quando já estava morrendo.

Eu amo todas as músicas deste álbum, até porque elas são minha biografia, em especial a música abaixo. Parece que o Renato entrou no meu corpo e escreveu sobre mim... Ele fala em toda a música coisas que eu sinto o tempo todo... Desde os 5 anos de idade.

É complicado não ter ninguém que entenda, é complicado quando nem você mesmo entende.

Anyway, em casos como o meu, nem toda terapia e Prozac do mundo faz com que o bem estar e a "normalidade" esteja presente... Elas somente tentam te ajudar a não enlouquecer de vez em meio ao caos... Mas os sentimentos, os medos, as noias, as frustrações, a raiva, a consciência pesada, o medo, a "Fênix" autodestrutiva e impulsionadora, continuam lá... Vivos, fortes e dominadores.... E logicamente o Vazio.... O Vazio é o pior deles...

Sabe, os psicopatas matam e fazem coisas indescritíveis, porque eles não sentem absolutamente nada, eles são VAZIOS! E isso é tão desesperador que eles precisam fazer coisas trágicas pra tentar sentir algo!

Sei que é absurdo o que irei dizer (escrever), mas sinceramente eu entendo! É desesperador não sentir nada! É desesperador ser vazio. É loucamente desesperador...

Segue a letra de Clarisse:

"Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete

Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer

Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém me entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe p'rá mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar p'rá casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos

No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
De que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto

A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo resistir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem quatorze anos"

- Renato Russo (Clarisse)